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"Voar África": com o Piu

por A Outra Metade do Mundo, em 26.08.13

« All children are artists. The problem is how to remain an artist once you grow up.»  Pablo Picasso                                                                 

 

 

« Ritinha, Alex, os cintos estão apertados? Vamos embora!» Piu

 

Voei com o Piu - call-sign do piloto Eduardo Maya, sempre na companhia da Rita. Foram 10 pernas entre Khwai River, no Delta do Okavango, e o voo de regresso da Ilha do Ibo, em Moçambique. 

 

O Piu está no cockpit como em casa. Durante os voos pensei sempre que ele devia ter nascido e crescido dentro de um avião. Pois eram, ele o os aviões, farinha do mesmo saco.

 

 

Relaxado, bem-disposto e sempre divertido, deixava transparecer a ideia de que tudo aquilo era muito fácil.

 

No avião necessitava de ter pouca coisa à mão – os óculos de sol, o passaporte e o GPS, e creio que nada mais. Quase não comeu, mesmo nos voos mais longos, e também não bebia muita água. É um todo-o-terreno. 

 

No avião do Piu respirava-se liberdade.

 

O peso e o espaço, dentro dos aviões, desafiaram-nos ao logo de toda a expedição mas no avião do Piu havia sempre lugar para mais umas caixas, cadernos ou bolas.

 

Solidário, estava sempre disponível para apoiar no que necessitássemos. Na mecânica, nos planos de voo, nos contactos com a Sky Africa, mas também apoiava aquelas tarefas consideradas menores, que normalmente eram as nossas, como descarregar cerca de 1700 kgs de mercadoria a correr e voar-nos, em seguida, para a Ilha do Ibo para regressarmos antes do pôr-do-sol.

 

Nesse fim de tarde, já noite, voltou a ser o último a descolar da Ilha do Ibo. Mais problemas técnicos noutro avião. Trocaram-se baterias, foram-se buscar cabos à vila, mas nada resultou.

 

Acabaram por ficar lá uns companheiros e nós descolámos, apenas, com a ajuda da lua e de um jipe que iluminava o início da pista. Aprendi, nessa altura, que o difícil é aterrar de noite sem iluminação. Descolar não tem problema!

 

Quando já sobrevoávamos o cristalino mar do Arquipélago das Quirimbas, que na ocasião nem se via, tal era a escuridão, o Piu respirou fundo e, com um sorriso, olhou na nossa direcção deixando escapar “Desta já nos safámos”.

 

 

 

 

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publicado às 16:00

"Voar África": rota voada

por A Outra Metade do Mundo, em 26.08.13

 

  «Here I am, where I am supposed to be» 

                                                              Karen Blixen, Out of Africa

 

 

17 dias de expedição | 5 países | 5 aviões | 3.700 milhas náuticas* | 2.3 toneladas de material escolar e desportivo | 16 pessoas

 

“Voar África – A Expedição” é uma Grande Reportagem, dividida em 5 capítulos, e será emitida diariamente de 26 a 30 de Agosto de 2013, no Jornal da Noite da SIC. 

 

Uma reportagem de Cândida Pinto e Jorge Pelicano (imagem) , com edição de imagem de Ricardo Tenreiro e grafismo de Paulo Alves.

  

 * 3700 MN = 6860 Kms. Apenas os pilotos efectuaram as pernas Brakpan Benoni - Kruger Mpumalanga - Maputo e Maputo -  Kruger Mpumalanga - Brakpan Benoni, tenho voado cerca de 4196 NM ,o equivalente a 7770 kms
 
Imagem de Miguel Cruz
 

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publicado às 11:17

"Voar África": o convite

por A Outra Metade do Mundo, em 25.08.13

«Temos a liberdade de ir. Temos a liberdade de não ir. Eu escolho ir.

                                    Nunca me arrependi».

                                                                                  Raquel Ochoa

 



Parecia uma partida do dia das mentiras, mas o convite era verdadeiro e irrecusável: participar, como voluntária, numa expedição aérea por vários países africanos, que levaria materiais escolares e desportivos a populações que ficam em lugares de difícil acesso.

 

Seria uma première pois nunca antes tinha viajado para África apenas em voluntariado. O período em que a expedição decorreria coincidia, na quase totalidade, com as férias que já tinha planeado. E, para facilitar a decisão, entre a data do telefonema, segunda semana de Abril, e a partida, a 10 de Junho, as nossas tarefas seriam todas desempenhadas em regime pós-laboral. 

 

A resposta só poderia uma. SIM.

 

As tarefas foram inúmeras e quase sempre ligadas à logística dos materiais e de todas/s as/os voluntárias/os, à gestão financeira e ao contacto com patrocinadores e outras entidades, em Portugal e em África. Apesar da expedição já ter terminado no terreno, ainda continuamos a voluntariar para fecharmos os últimos assuntos pendentes.

 

Têm sido meses intensos, com os seus altos e baixos, próprios de uma expedição aérea, sempre percorridos na companhia de duas amigas que ficarão para a vida, a Filipa Carriço e a Rita Casimiro.

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publicado às 22:00

 

Todas/os as/os voluntárias/os que participarão na Expedição Aérea Humanitária Flight of Hope apresentaram-se no blogue que relatará o dia a dia da expedição. Ficou assim o meu perfil:

 

“Se pensa que é muito pequena/o para fazer a diferença, tente dormir num quarto fechado com um mosquito”

Provérbio Africano

 

Alexandra Alves Luís deixou para trás a gestão e as empresas e, depois de uma volta ao mundo, mudou de vida dedicando-se, actualmente, à investigação, formação e activismo pelos Direitos das Mulheres, em Portugal e no Mundo. Coordena um projecto de informação e sensibilização para a intervenção contra a Violência de Género, trabalhando as áreas da Violência Doméstica e no Namoro, Corte dos Genitais Femininos e Tráfico de Seres Humanos, na ONG UMAR, e é investigadora do CESNOVA- Faces de Eva, da Universidade Nova de Lisboa.

Sempre sonhou conhecer o mundo mas, por ter nascido menina, só aos 20 anos conseguiu fazer a sua primeira viagem sozinha. Foi o seu primeiro estágio e o destino escolhido, o país mais distante de Portugal a que se podia candidatar, a Finlândia. Desde então tem vindo a concretizar o seu sonho de conhecer todos os países do mundo, tendo vivido em cinco países, viajado em todos os continentes e em mais de 90 países.
Nadou com lobos-marinhos nas Galápagos, fugiu de ursos polares no Árctico, mergulhou na Antárctica, andou com leões na Zâmbia, viu o primeiro eclipse solar total do sec. XXI e assistiu ao regresso dos restos mortais de Che Guevara a Cuba.
Em 2011, percorreu o sul de África, em camião, tendo visitado os locais históricos associados à vida de Nelson Mandela que com Aung San Suu Kyi e Maria Teresa Horta são as pessoas que mais a inspiram.
Abraçou o voluntariado na Expedição Aérea Flight of Hope com grande emoção, pois visitará alguns locais, em Moçambique, onde a tia Fernanda, que partiu no passado mês de Abril, viveu. Sente que o que receberá das populações que irá contactar, durante a expedição, a ligará para sempre a estas geografias, no verdadeiro espirito do provérbio congolês - as pegadas das pessoas que andaram juntas nunca se apagam. 
 

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publicado às 00:00


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